Exposição de gestantes as substâncias perfluoralquil e os desfechos adversos da gravidez

As substâncias poli e perfluoroalquil (PFAS) são uma família de mais de 4000 compostos (SUNDERLAND, 2019) e fazem parte de uma classe de compostos sintéticos amplamente utilizados em aplicações industriais, caracterizados por uma cadeia de carbono linear hidrofóbica ligada a um grupo funcional hidrofílico.

PFAS são de interesse de estudo devido à sua extrema persistência no ambiente, capacidade de bioacumulação, potencial de toxicidade e efeitos adversos à saúde humana.

A estrutura química dos PFAS lhes proporciona propriedades únicas, como estabilidade térmica e a capacidade de repelir água e óleo, tornando-os úteis em uma ampla variedade de produtos de consumo e industriais (protetores contra mancha em tecidos, impermeabilização de tecidos, panelas antiaderentes, embalagens alimentares, lubrificantes, espumas contra incêndio).

O ácido perfluorooctanóico (perfluorooctanoic acid, PFOA) e o sulfato de perfluoroctano (perfluorooctane sulfonate, PFOS) são dois dos PFAS mais conhecidos e estudados. Em sua forma iônica, são solúveis em água e podem prontamente migrar do solo para o lençol freático, onde podem ser transportados por longas distâncias. PFOS é o PFAS predominantemente encontrado em espécies aquáticas em todo o mundo.

Vários estudos descobriram associações significativas entre a exposição ao PFAS e resultados imunológicos adversos em crianças. A dislipidemia é o resultado metabólico mais forte associado à exposição à PFAS (SUNDERLAND, 2019).

De acordo com estudos prévios, a exposição a alguns PFAS está associada com câncer, desordens da tireoide, supressão imune, baixo peso ao nascer e diminuição da fertilidade. As crianças estão especialmente em risco de efeitos sobre a saúde, porque seus corpos em desenvolvimento são mais vulneráveis a produtos químicos tóxicos.