Pesquisadoras do PIPA participam de webinário do projeto Fronteiras do Conhecimento em Pediatria
Como os poluentes ambientais afetam o desenvolvimento infantil desde a gestação foi tema do encontro
Alguns dos efeitos da exposição a poluentes ambientais na saúde materno-infantil — já evidenciados por estudos do Projeto Infância e Poluentes Ambientais (PIPA) — estiveram no centro do webnário promovido pelo Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFRJ, no dia 6 de abril de 2026. O encontro reuniu as pesquisadoras Carmen Fróes, coordenadora-geral do PIPA, além da Drª Mônica Seefelder e da Profª Maria Amélia Porto, com mediação da Profª. Flávia Nardes, no âmbito do curso de extensão Fronteiras do Conhecimento.
Durante a apresentação, Carmen Fróes destacou que a exposição a poluentes ocorre de forma contínua e muitas vezes invisível, exigindo um olhar ampliado sobre o ambiente como determinante da saúde. “Toda vez que nós olharmos para um bebê, para uma criança, é extremamente importante que a gente olhe também para o ambiente em que ela vive”, afirmou.
As pesquisadoras reforçaram que a maior vulnerabilidade infantil está diretamente relacionada ao processo de desenvolvimento biológico. Sistemas como o nervoso central, o imunológico e o endócrino ainda estão em formação, o que aumenta a suscetibilidade a substâncias tóxicas presentes no ar, na água, nos alimentos e em produtos do cotidiano. O webnário também retomou dados já discutidos no âmbito do PIPA, que apontam para a presença de poluentes no ambiente urbano e sua capacidade de atravessar a placenta, alcançando o organismo do feto ainda durante a gestação.
Na apresentação dos resultados da coorte, foram discutidas análises sobre neurodesenvolvimento infantil, com destaque para associações observadas entre a exposição pré-natal a metais e alterações em domínios do desenvolvimento. Os achados indicam a complexidade dessas relações, influenciadas por fatores como nível de exposição, idade da criança e contexto socioambiental.
Além dos resultados empíricos, o encontro abordou os principais mecanismos biológicos envolvidos na toxicidade dos poluentes, como estresse oxidativo, desregulação hormonal e efeitos epigenéticos — processos que podem impactar o desenvolvimento ao longo de toda a vida.
A atividade reforça o papel da divulgação científica como ferramenta para ampliar o debate sobre saúde ambiental e qualificar a prática em saúde materno-infantil. A discussão está disponível canal do Departamento de Pediatria da UFRJ no Youtube.