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Exposição ao chumbo durante a gestação pode afetar a audição do bebê já nos primeiros dias de vida

Mesmo em níveis considerados baixos, a exposição ao chumbo durante a gestação pode estar associada a alterações sutis na função auditiva de recém-nascidos. Em artigo publicado na revista Environmental Research: Health, pesquisadores do Projeto Infância e Poluentes Ambientais, o PIPA/UFRJ, investigaram a relação entre os níveis de chumbo no sangue do cordão umbilical e os resultados da triagem auditiva neonatal realizada nos primeiros dias após o nascimento.

O trabalho, intitulado “Prenatal lead exposure and neonatal hearing screening outcomes in newborns from the PIPA cohort project, Rio de Janeiro”, avaliou 434 recém-nascidos participantes da coorte de nascimentos do PIPA.

Os pesquisadores mediram as concentrações de chumbo em amostras de sangue do cordão umbilical e analisaram a resposta das células auditivas da cóclea por meio das emissões otoacústicas evocadas transientes, exame utilizado na triagem auditiva neonatal.
Os resultados mostraram que concentrações mais elevadas de chumbo estavam associadas à redução das respostas auditivas em frequências altas, especialmente em 4 kHz na orelha direita. A associação foi mais evidente entre meninas, que apresentaram respostas significativamente menores quando expostas a níveis mais elevados do metal durante a gestação, mesmo após o ajuste para fatores como escolaridade materna, tabagismo e uso de drogas.

Um dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi que os efeitos foram observados em concentrações de chumbo inferiores ao valor de referência adotado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). Além disso, o chumbo foi detectado em praticamente todas as amostras de sangue do cordão umbilical analisadas, evidenciando a ampla exposição da população ao metal.

Embora as alterações identificadas não representem perda auditiva clínica, elas podem indicar comprometimentos iniciais da função coclear — estrutura fundamental para a audição e para o desenvolvimento da linguagem nos primeiros anos de vida. Os autores destacam que os resultados reforçam a necessidade de políticas de prevenção da exposição a metais pesados durante a gestação e de integrar a vigilância ambiental às ações de saúde materno-infantil.

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